• Ely Carter

Diga sim para a esperança!


Vera penteou os cabelos com os dedos, fez um coque fofo e prendeu com um grampo. Passou as mãos pelo rosto, olhou as linhas finas de expressão, herança dos 40 que chegaram, lavou a face, limpou a pele, colocou o creme básico na esperança que aquele macio estrato aliviasse as rachaduras que tinha dentro. A esperança era a última a morrer, pensou e sorriu na frente do espelho.


Vestiu-se, foi a cozinha fazer um café, se deparou com o calendário, era já 2 de Março, semana da mulher. Refletindo, pensava como a sua luta era diária, num mundo onde querem o silêncio das mulheres, em todas as esferas da sociedade. Ficou ali refletindo em como estava resistindo, a cada dia combatendo, se aliando com pessoas que viam na recíproca colaboração uma possibilidade para uma sociedade mais digna, para todos os seres humanos. Dizer sim para si era um desafio onde o mundo dizia-lhe sempre, um alto e potente não.


Enquanto preparava a mesa e esperava que aroma do santo café de todos os dias enchesse a cozinha, com o sua fragrância, que convida a ficar em casa, Vera pensava na conversa que tinha tido com Edna, a sua amiga que andava meio sem esperança, pelas quebradas da vida, encontrando tipos pouco aconselháveis, aqueles vampiros de alma, que se alimentam da devastação do ser.


Durante a conversa com a Edna, Vera tinha-lhe aconselhado como irmã mais velha, dizendo que aquele fim, era o reinício, um pretexto para mudar um dado, incenso místico e perfumado, para lembrar que a vida, deve seguir.


A aconselhou a ir a um psicólogo, mas também a tomar um café com as amigas, pois o cultivo de boas amizades era como um ritual de recomeço, como uma estação, do tempo, que te da opção, de avançar e continuar a florir.


Edna estava meio que mancando em duas posições diferentes, mas Vera a lembrou que o desafio de uma nova vida devia ser aceite, não devia se culpar, pois, isto não a faria crescer. A convidou a ver bem, analisar a situação, se necessário agora rasgar o coração, pois não tinha tempo a perder.


Vera estava convencida de que aquele era o momento para Edna responder ao chamado à mudança, sabendo que tudo na vida tem um preço a pagar, mas que a tristeza era ferrovia que levava a morte e que no vagão do reclamar da sorte era não devia estar.


O que a Vera estava oferecendo a Edna, não era um bilhete pra a felicidade, mas uma companhia que a ajudaria neste momento de grito pela liberdade, onde ela faria valer o seu valor. Estar circundada por pessoas que a consideravam preciosa, era uma oportunidade, ali ou em outra cidade, de enfrentar o luto da dor, para não carregar o peso, sozinha, para não se arrastar implorando atenção, mas para mesmo mancando seguir a trilha da vida.


Era um reinício, sempre um novo pretexto para mudar um dado, incenso, místico e perfumado,

para lembrar que vida deve seguir. Era hora de dizer sim para si mesma, sim para a vida, reacender uma vela para a esperança.





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