• Ely Carter

Mãe não dorme.



A mãe não dorme. Desde quando ficou gravida, ela quase que é destinada a não mais dormir! Não dormirá devido à posição desconfortável ou dor nas costas, mas poderá ser azia, preocupação e mil coisas, a lista é grande. Não, ela não dormirá quando tiver que levantar de noite par amamentar, não dormirá quando a sua criança estiver com febre.


E esta sequência de noites mal dormidas vai pendurar sempre. Quando for para discoteca, a mãe não dormirá enquanto a criatura querida não chegar; quando tiver com problemas no trabalho; com a namorada ou namorado, com os próprios filhos, a mãe vai ficar ali no seu eterno despertar.


Coração de mãe não descansa nunca, porque filho é pedaço do coração da gente fora do corpo, que sai por aí desbravando o mundo e a cada joelhada, cada arranhão nele a gente sente, pode estar aqui do lado, pode estar do outro lado do mundo.


Quer ver mãe não dormir: quando ela diz não ao filho ou filha, mesmo porque ela sofre, porque sabe que isso é educação. Permanece ali de noite a pensar em como desenvolver aquela relação, como desenrolar aquele rolo de linha todo emaranhado que se chama maternidade. E’ muito difícil, complicado mesmo.


Mães não dormem, passam noites a orar, a rezar pelos filhos e netos, pela sua família. A conversa de mãe com Deus é seria, recheada de sorrisos e lagrimas, enrolada numa multidão de palavras e sensações que só Deus, que criou as mães sabe como fazer.


E mãe, ah! Meu amigo, mãe é mãe! Não interessa se carregou no ventre por nove meses ou se deu à luz no coração e através dos papéis da adoção pôde acolher aquela criança, não interessa se teve que cuidar do sobrinho ou do neto, toda a referência que evoca aquele amor é preciosa.


Não interessa como ela é fisicamente, não interessa como é a sua personalidade e gostos, mãe é criatura sarapintada de sentimentos bons e conflitantes, encravada na constelação do mundo, mãe, que cuida e que protege é assistente de Deus, anjo em forma de gente.


Às vezes ela caminha com sapatos em forma de nuvens, chega e a gente nem percebe. Às vezes ela vem calçada em saltos altos de raios e trovões arrebentando e botando ordem na casa. Mas seja ela silenciosa como o orvalho ou escandalosa como um trovão, mãe…mãe é mãe e mãe não dorme.



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