• Ely Carter

Propostas

O ano passou.

No armário ainda tem o aroma de panetone, dentro do saco de plástico, fechado com um clips, estava ali para lembrar a Vera que o Natal tinha passado, a virada de ano também, mas que tanto o panetone, como os biscoitos estavam ali esperando ansiosos por uma decisão, que destino seria dado a eles.


Abandonou o pensamento de jogar fora, era um pecado! Se fez um leite quente com canela, deixou cair lentamente dentro da caneca uns pedaços de bombom esmiuçado e se deliciou com o perfume que encheu a casa. Devagar resgatou um pedaço de panetone...

Em casa já se falava de dieta, a toalha já tinha sido lavada e estava la fora esperando para ser enxuta e depois passada. Sim, depois mesmo, porque ela precisava curtir aquele instante.


Passado o momento de total entrega as calorias, Vera foi dar uma olhada na montanha de roupas para passar, que eram reféns da cadeira. Enquanto montava a tábua de passar, Vera começou a pensar na vida, ali naquele quarto começou o seu dialogo, mesmo porque era mais que natural chegar no final do ano e refletir, fazer uma espécie de retrospetiva, percorrer a memória o ano que passou.


Para a Vera não foi um ano fácil, sob nenhum ponto de vista, os desafios foram tantos.

Foi interessante, porém, ver e entender quais são as pessoas com as quais ela sabia que podia contar e quais não. Na vida precisamos deste discernimento.


Foi um ano de aprendizado, pois ela tinha se confrontado com pessoas com pontos de vista muito diferentes dos seus, seja no modo de ver a vida, quanto no trabalho, no modo de enfrentar as dificuldades, em gerir as situações.


Obviamente Vera considerava um tesouro esta diversidade, que conjugada com sabedoria e consciência, nos leva a colaborar para o bem comum.


Como todo mortal, Vera trabalhava também para trazer o pão, mas também porque desejava ter a satisfação de ter contribuído de algum modo para fazer com que as coisas dessem certo, para que o mundo fosse um lugar melhor. Trabalhava porque só o trabalho podia dar-lhe aquele sentido de dignidade.


Não se levantava da cama se não fosse para tentar mais uma vez fazer as coisas darem acontecerem, era um compromisso que tinha consigo, mesmo porque, dizia a si mesma: se não é assim, que gosto, que sabor tem?


Os desafios profissionais foram muitos, as vezes se tornavam mais leves quando ao seu lado ela tinha pessoas que se colocavam no jogo, jogavam a mesma partida, tinham o mesmo objetivo, chegar ao fim da corrida.


Ah, os resultados…foi um ano no qual os resultados não foram aos 100% aqueles que ela esperava. Não, não foram. Era honesta em admitir isso, mesmo porque a mentira tem perna curta!


Nesta sua reflexão estava tentando entender onde devia melhorar, em qual viela devia virar, qual estrada evitar. Enquanto passava a camisa do filho, entre os botões e casas, ela recalculava o percurso porque na estrada que porta ao por do sol, queria ver o quadro inteiro, queria um quadro completo das situações. Não tinha nascido para metades.


Vera virou a camisa, passou as costas e naqueles movimentos, com o vapor para amolecer o tecido, ficou pensando no quanto gostava de conversar com as pessoas. Era grata pelo seu trabalho que lhe permitia sair e conversar com as pessoas, sentir em qual direção vai o vento, respirar, entender para onde devia ajustar as velas.


E neste ajustar as velas, neste conversar, nesta arte do con-viver, ela ajudava as pessoas a encontrar soluções, somente através do dialogo se encontravam soluções que tinham por objetivo criar uma relação de valor com os seus clientes, com quem trabalhava com ela, com que quem convivia com ela, com quem lia os seus artigos.


Terminando de passar a camisa, Vera pensou que só desejava saúde e mais um ano de possibilidades de fazer deste mundo um lugar melhor, mesmo porque se não fosse assim, que sabor teria?


Foi ao escritório, pegou a agenda e lápis, porque não gostava de anotar pensamentos no celular, com a sua caligrafia fluida escreveu "promessas 2020", mas depois, riscou promessas e escreveu "Propostas", porque Vera não acreditava em promessas, mas acreditava na busca por respostas, simples propostas que a vida faz e que basta dizer Sim. Sim para 2020!


Ely Carter - Cartas & Sonhos





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