• Ely Carter

Um ano de "New Normal" ou "Novo Normal".



Muitas vezes não conseguimos segurar o pranto. Estamos todos sensibilizados, abalados por tudo o que aconteceu e continua acontecendo neste período. A vida na Era Covid se por um lado induz a gratidão, por outro gera uma maré de conflitos em nós.


Muitos não estão apenas preocupados com a perda enorme de vidas humanas, mas nos interessamos também pela tragédia social gerada pela emergência Covid – 19. A vacina é uma luz no fim do túnel, mas não basta para nos ajudar a caminhar com as pernas bambas neste que foi apelidado com “New Normal”.


Um “Novo Normal” que completou um ano, com um balanço multifacetado, constelado de pros e contra.


Particularmente não creio que retornaremos ao que era antes. O salto que fizemos foi grande demais, e não estávamos preparados nem se quer o mínimo para enfrentar uma crise deste tipo. Nenhum setor da sociedade estava preparado, nenhum. Do supermercado ao artista, da fábrica de pneus a farmácia, ninguém esperava por este chute na canela no meio do campo, fazendo a gente cair de beiços no chão.


Obviamente hoje damos mais valor ao nosso tempo, na balança da vida, pesamos cada minuto que devemos dedicar a uma chamada de video, não importa a razão desta. De certa forma este novo normal criou uma espécie de filtro para as relações, para a quantidade de tempo disponível.


Acredito que o novo normal tem um preço muito caro, porque nos obriga a viver numa situação de precariedade sem igual. Não poder planejar a longo prazo nos lança em um labirinto de incerteza e isso nos faz mal.


A vida na sociedade produtiva está dividida entre quem pode, deve ou é obrigado a sair de casa para trabalhar, e quem para trabalhar deve ficar em casa e produzir o máximo que pode em modalidade Home Office.


Esta modalidade de certa forma causa ansiedade, porque se a ‘internet’ demorou anos para inserir-se na nossa vida, a modalidade home office, para milhões de pessoas aconteceu praticamente de um dia para o outro. O resultado é que tem muita gente por aí sentindo-se invadida, privada da sua privacidade, tendo que compartilhar com gente com a qual nunca foi nem tomar uma cerveja, a intimidade do próprio lar, composta por família, filhos, gatos, papagaios, cães e quem tiver mais, acrescente.


Nem todos tem a possibilidade de ter um lugar na casa dedicado ao trabalho, e assim, de repente as pessoas se sentem “descasadas”, pois a casa não é mais casa, não é mais lugar que acolhe, proteger, reserva, mas se torna um ambiente escancarado durante as chamadas com Zoom, Meet ou qualquer outro aplicativo que permita uma chamada de video.


Se antes um funcionário trabalhava de segunda a sexta-feira no escritório, oito horas por dia, após a pandemia praticamente se trabalha o dobro, nos finais de semana e feriados. Não existe mais a consciência do respeito pelo tempo livre do outro. E esta “coabitação” do trabalho e do lar está provocando desgaste nas relações. Existe uma elevada exposição do trabalhador ao ambiente de trabalho, e esta não separação dos ambientes pode levar a frustração e perda da produtividade.

Talvez seria necessário encarar esta situação como uma perfeita oportunidade para exercitar as boas maneiras ‘online’, não mandar mensagens fora de hora, respeitar a carga horaria. Mesmo porque, estar disponível 24 h por dia, não é garantia que o trabalho seja feito com o mesmo nível de excelência com o qual era feito antes, não por falta de vontade do funcionário ou colaborador, mas, porque estar sempre conectado, sem ter tempo para viver, cansa.


A gente pode até estar vivendo o novo normal, mas isso não significa que as boas coisas do antigo normal devam ser descartadas.


Precisamos nos ajudar na construção deste novo período histórico, não esquecendo a nossa bagagem. Precisamos nos reorganizar emocional, social e culturalmente para que o desastre desbande de vez a nossa vida e esqueçamos quem somos.




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